“Ide vós também à minha vinha” (Mt 20,7)

 

Primeiro Ponto: Eu também fui convidado a trabalhar na vinha do Senhor.

 

            Eu também fui convidado a trabalhar na vinha do Senhor. Sou o trabalhador da primeira ou da ultima hora?

Pouco importa saber. Isto, agora não pode mais influenciar o meu futuro, a não ser para dar-me maior impulso a fim de recuperar o tempo perdido. É suficiente contemplar a ação amorosa de Deus para comigo, para me dar conta que Deus quer algo de especial de mim.

Percebo a parte negativa e a positiva, estas me fazem entender como Deus, não obstante tudo, tenha-me escolhido entre muitos para sua missão divina.

O lado negativo è como que uma barreira presente em mim que eu desconhecia e que o Senhor me fez superar. Nas partes negativa posso colocar minhas faltas, minhas inclinações egoístas etc. Quantas vezes em minha vida vi o bem e preferi o mal! Quantas vezes fechei a porta a Jesus! Quantas vezes corri atrás de “borboletas” pisando nas flores mais lindas! Quantas vezes, a Jesus que me estendia a mão machucada com suas chagas, respondi “não” a seus pedidos !

Pacientemente, o Senhor voltou não uma, mas dez, cem vezes a chamar-me. Chamar a mim, justamente a mim e não aquele meu amigo que possui tantas qualidades, o outro que sempre teve sucesso, ou aquele que teria até a aprovação de pais e amigos...

E para onde me chamou ?

Não conhecia esta comunidade, nem sequer imaginava que pudessem existir, ao primeiro convite do Senhor respondi: “Não creio que tenham religiosos que se assemelhem ao que eu sinto. Até poderia entregar minha vida se existissem assim como sinto...”

E Deus respondeu: “Eu os levarei até você, os apresentarei a ti, na tua cidade, além dos obstáculos que te cercam para que tu sejas acolhido em minha família !”

 

É um privilégio este?

Sim, um grande privilegio; e quem não o entender, não o amar, não entenderá a finalidade e a grandeza de sua missão.

Missão de apostolo, em favor primeiramente daqueles com os quais se convive – pois um religioso deve ser antes de tudo apostolo para seus irmãos – e missão de apostolo para o mundo inteiro, mesmo se acontecer de ficar fechado aparentemente sem realizar grandes coisas.

Entendo a minha responsabilidade ?

É aqui que o Senhor me chamou para dizer-me : “É nesta condição que você se tornará santo !”.

Acredito, vivo esta convicção ? ...Mesmo se tenha que viver uma preparação longa, remota, silenciosa, aparentemente inútil mas preciosa para o apostolado? Vivo esta convicção com serenidade, com toda a responsabilidade e o entusiasmo dos quais sou capaz ?

 

Segundo Ponto: Deus precisa de almas generosas, pessoas que doem a si mesmas com entusiasmo.

Como se experimenta o entusiasmo ? Só com o amor.

É o amor que me faz dizer: “Ou tudo ou nada, ou santo ou nada” ... mas eu não sobreviveria com o “nada”. Para ser santo preciso estar num contexto santo, com pessoas santas, por isso tem sentido a caridade para com meus irmãos de comunidade, esta me impulsiona ao desejo de promover o bem deles, a unidade, a santidade, enfim, o que Jesus quis: a união recíproca.

Vivo este sentimento ? o torno visível ? Projeto meus esforços para realizar este desejo do Senhor, para Ele e para os que Ele ama ? Ou ainda continuo emaranhado em meus pensamentos, recordações, problemas pessoais ?

Deus precisa de almas de larga visão, magnânimas como Maria, que não meçam sua doação.

O que mais Maria poderia doar-nos e doar ao Senhor ? Perguntemos a uma mãe se tem para ela tesouro maior do que seu filho... Maria entregou até seu filho. Seria suficiente um instante do Calvário para dizer quanto Maria deu para todos nós. Ela entregou seu filho, e este filho era Deus ! O entregou a nós religiosos, a nós de maneira especial. No entanto, quantas vezes em minha vida não fiz caso do sangue de seu Filho divino, A deixei chorar sozinha !

Se fui perdoado, não foi também pela intercessão de Maria, por seus merecimentos ? Por suas lágrimas ?

Ela me acompanhou com amor, passo após passo, aproveitando de um momento de arrependimento para dizer-me de novo: “Jesus te chama” e dizer a seu Filho: “Faça com que volte à minha casa, à minha íntima família. E Jesus, rejeitado quando preferi a mim mesmo do que a Ele, respondeu com seu amor ao meu egoísmo e projetou algo, preparou um caminho pelo qual eu pudesse chegar à sua casa.

Projeto às vezes sofrido, projeto que teve algo de incompreensível, misterioso...

Agora que posso compreender os caminhos de Deus traçados em meu passado, agradeço o Senhor por me ter chamado, não obstante minhas recusas, para uma vida que concentra todos os meus esforços e minhas energias em direção à única atividade para a qual fui criado: o amor de Deus.

Como poderia não amar a comunidade à qual pertenço? Poderia até dizer que Deus constituiu para mim esta família religiosa, a criou para sentir-me acolhido.

Quantos tem o privilégio de tal chamado à vida consagrada, podem considerar-se plenamente certos de que Deus os destinou desde toda a eternidade para esta missão especial na Igreja e nenhuma outra mais” (T. Merton)

É por isto que sinto todo o entusiasmo para esta família religiosa que tem por finalidade a gloria do Pai, através da nossa santificação.

Finalmente consegui dizer SIM e este será para sempre. Não olho mais para trás para ver o negativo de minha vida, a indiferença, as recusas... olho para isto somente para entender quanto recebi de Deus.

Não olho mais para trás, mas adiante para abraçar todo o ideal desta família religiosa à qual quero entregar todo meu caminho espiritual. Uma comunidade cuja riqueza seja a santidade e as obras de bem, não o prestígio e honras. Irei agir como se tudo dependesse de mim, irei orar como se tudo dependesse de minha oração; não irei medir a minha doação porque sei que quanto darei o darei a uma Mãe que me ama e me chamou. Eis a minha vocação!

 

Te amo Senhor, minha força. O Senhor é minha cidadela, meu refugio e meu libertador.” (Sal 17, 2-3).